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4 de novembro de 2016

Alianças Estratégicas-Não é Parceria e sim um bom Negócio!

As organizações da era capitalista sempre se caracterizaram por seu dinamismo e sua capacidade de adaptação às circunstâncias, características de fundamental importância para a própria sobrevivência das organizações em mercados cada vez mais competitivos.

Nesse sentido, diversas transformações e inovações têm ocorrido com frequência cada vez maior, sendo importante frisar que organizações com pouca flexibilidade para adaptações a novos ambientes dificilmente conseguem manter-se por longo tempo numa economia cada vez mais competitiva e globalizada.

Nas últimas décadas, a tendência de surgimento de alianças visando a uma cooperação entre empresas parece demonstrar a adaptação de muitas empresas a esse novo contexto.

Esse novo tipo de arranjo vem se tornando uma característica cada vez mais predominante no ambiente organizacional, indicando uma possível reação de muitas empresas a uma nova conjuntura caracterizada por grande dinamismo e rápidas transformações tecnológicas, onde se torna fundamental para algumas empresas associarem-se a outras para que possam obter conhecimento e manterem-se a par das novas tecnologias, o que é essencial para que permaneçam competitivas.

Além da facilidade no campo tecnológico, o aspecto de estratégico de olhar não com olhos de ‘parcerias’ por já estar um pouco desgastado por sua utilização descabida e sem critérios nem disciplina. Acreditamos numa visão mais estratégica, ou seja, mais de médio a longo prazo; pois à medida que as empresas entendem que podem e devem compartilhar “Ônus e Bônus”, as condições operacionais ficam mais fáceis de acontecerem. Como já acontecem hoje de empresas que realizam PROSPECÇÕES DE REUNIÕES para outras empresas para realização de visitas para fechamento de negócios.

Das e Teng (2000) afirmam que a proliferação de alianças estratégicas nos últimos anos marcou uma mudança no conceito do que seja natureza da competição, caracterizada cada vez mais por constantes inovações tecnológicas e rápidas inserções em novos mercados. Tais fatores, dentre outros, têm levado à noção de que a chave para o sucesso está em conseguir vantagem colaborativa através da formação de alianças.

Esse novo ambiente organizacional tem possibilitado a criação de arranjos cooperativos que garantem benefícios efetivos às organizações que estejam dispostas a cooperarem entre si. São benefícios que vão de uma significativa redução dos custos de transação até a conquista de melhor posicionamento no mercado por uma ou mesmo a oportunidade de se adquirir determinados conhecimentos organizacionais.

Contractor e Lorange (1988) explicitam sete benefícios trazidos pela formação de uma aliança estratégica:
· redução de riscos, pois a cooperação permite que as empresas dividam os riscos do negócio;
· economia de escala, pela maior eficiência conseguida com o uso mais efetivo dos ativos de uma empresa, o que reduz custos;
· intercâmbio tecnológico com a troca de conhecimento entre as empresas que, assim, conseguem aperfeiçoar sua tecnologia;
· menor concorrência pela conquista de uma determinada posição no mercado, a partir do momento em que as empresas que firmaram a aliança deixam de ser concorrentes e passam a cooperar;
· atuação dentro de fronteiras, a partir da eliminação de barreiras legais, quando se estabelece aliança com uma empresa local;
· facilitação do ingresso de empresas pouco experientes no mercado internacional, pois uma aliança permite a uma empresa adquirir os conhecimentos necessários para atuar em diferentes mercados de forma eficiente; e
· os autores explicitam a vantagem de se estabelecer uma integração quase-vertical por intermédio de uma aliança.

A Integração Vertical ao contrário de integração Horizontal, que ocorre no mesmo estágio de produção, a integração vertical ocorre através da fusão ou aquisição e podemos dizer, ALIANÇAS de empresas em diferentes estágios de produção ou de distribuição dentro da mesma indústria.

No entanto, é preciso ter em vista que a cooperação através da formação de alianças não traz apenas benefícios para as organizações – e nem sempre deve ser encarada como a melhor estratégia – devendo-se analisar cada caso cuidadosamente.

Pois além das diferenças culturais, operacionais e de valores entre empresas, os acordos operacionais a serem assinados deverão levar em consideração, além destes fatores, outros como discordância de propósitos, eventual desinteresse de um ator caso seus indicadores sejam alcançados, possibilidade de comportamentos oportunistas, e o risco de se investir sua imagem e recursos em empresas com pouca credibilidade.

É importante ter em mente que arranjos cooperativos podem abrir excelentes possibilidades estratégicas; mas, antes de efetivar sua formação, deve-se verificar até que ponto as vantagens de se estabelecer tal arranjo superam as desvantagens. Cabe frisar que, apesar dos riscos e das desvantagens inerentes à formação de uma aliança, esta parece ser uma estratégia de fundamental importância para as organizações contemporâneas.

Oportunamente falaremos mais sobre a tendência de formação de alianças estratégicas verificadas nas últimas décadas que podem ser explicadas através da perspectiva de duas abordagens teóricas contemporâneas: a teoria da dependência de recursos e a teoria dos custos de transação.

Até breve.

Geraldo Veiga

Referências

CARDENAS, Leonardo Querido, LOPES, Fernando Dias.; A Formação de Alianças estratégicas: uma análise teórica a partir da toria da depedência de recursos e da teoria dos custos de transação. Cadernos EBAPE.BR. v.4 nº2, Jun 2008. www.ebape.fgv.be/cadernos ebape acessado em 11/10/2016

CONTRATCTOR, F.; LORANGE,P. Why should firms cooperate? The strategy and economics basis for cooperative ventures; In_________:(ED) Cooperative estrategies in international business. MA.Lexington Books, 1998.p.38, 2000.

DAS, TK.:TENG.B.S A.; resource-based theory of strategic alliances. Journal of Manegement. v26.n.1,p.31-61.2000.clima organizacional